Eduardo Costa

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Tá certo, mas, tá esquisito

02/08/2020 às 02:34

O secretário de Saúde parou a vida de Belo Horizonte em março e pediu ajuda de todos, para combater uma pandemia que aterroriza o mundo. Precisava de tempo a fim de preparar a cidade, especialmente criar mais leitos de UTI e, assim, evitar o pior, que é a morte sem assistência médica. A adesão foi imediata, dada a gravidade do assunto. E ele, o secretário, prometeu, entre outras coisas, abrir 7 mil leitos de terapia intensiva.

Cinco meses depois, o secretário diz que não pode permitir a retomada das atividades econômicas porque os índices de ocupação de CTI estão acima de 80 por cento. Mas, o secretário não criou em todo esse tempo sequer cinco por cento dos leitos prometidos. E fica nervoso quando alguém questiona dizendo que falta pessoal, que o leito não é só respirador. Aí, o conselho dos fisioterapeutas e o sindicato dos médicos dizem que não é verdade e que nunca foram procurados para dialogar. Então, a repórter pergunta porque não contrata, se necessário, leitos de hospitais privados. O secretário se irrita, dizendo que não o faz porque não precisa e, além do mais, ele tem compromisso com o dinheiro público.

É claro que ninguém quer gasto de dinheiro à toa, mas, se falta leito e o problema é este, por que não contratar, se precisar, já que não abriram? E, a propósito será que, no final das contas as cestas básicas que estão sendo distribuídas não custarão muito mais? Registre-se que aqui não vai uma crítica ao fato de socorrer os carentes; mas, sabemos que a dignidade vem é com o trabalho, que está acabando na cidade, para desespero de empregadores e, sobretudo, desempregados. 

Reconheço a autoridade do secretário e seus colegas médicos. No entanto, em respeito aos que me cobram o tempo todo, e, diante da omissão inacreditável da Câmara Municipal; da fraqueza escandalosa de nossos líderes empresariais e, especialmente, da hipocrisia histórica da cidade, onde as pessoas falam ao pé do ouvido evitando o debate público, por conta dos incontáveis interesses, estou dizendo, em alto e bom som: o tempo nos dirá se o estrago maior veio do vírus ou da falta de diálogo e transparência. Até porque, nos mais de 40 anos que acompanho a vida da cidade, nunca vi ou ouvi falar que havia menos de 80 por cento na ocupação dos CTIs.

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