Eduardo Costa

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Menina, eu vi...

27/03/2020 às 07:25

Não sei se é a mais feliz ou a mais experiente, mas, sem dúvida, a geração nascida na metade do século passado, da qual faço parte, é a que mais viveu experiências na história da humanidade. 

Senão, vejamos:

Conhecemos alguns dos artistas mais espetaculares, da música à bola... 

Ouvimos notícias quase inacreditáveis como a Guerra das Coreias, o suicídio de Vargas, a renúncia de Jânio, o assassinato de Kenedy, a revolução ou o golpe de 64, a Revolução cultural na China, a Primavera de Praga, a chegada do homem à lua, a internet, a morte do presidente Tancredo, o clone da ovelha Dolly, dois presidentes depostos...

No caso dos jornalistas, estivemos perto de momentos tristes e alegres das diretas já, das greves, manifestações, a nova Constituição, a explosão da violência; momentos difíceis de rebeliões, sequestros, assassinatos brutais como o da menina Miriam...

Os desastres: desmoronamento do parque na Gameleira, soterramento de barracos na Barraginha; rompimento da barragem em Mariana, os 270 mortos da Vale, em Brumadinho, as vilas e favelas apinhadas de gente sem estrutura, irmãos morrendo nas ruas.

É difícil olhar e não ver o salto na Medicina, na tecnologia, no adensamento das cidades, na automação do campo, na abertura de novas fronteiras, uma sucessão de vitórias capaz de iludir aos mais empolgados humanos da possibilidade de serem Deus...

Aí, aparece um bichinho, invisível até aos microscópios não eletrônicos, incapaz de se manter no ar, e assombra a humanidade, aquartela os exércitos, põe os mais poderosos na quarentena e transforma centros de referência mundial como Londres e Nova Iorque em cidades fantasmas.

Todo mundo, de joelhos. Quem investiu na bolsa, desesperado. Quem não tem nada no bolso, desconsolado. Quem emprega pensando em demitir, quem não tem roupa vendo a loja fechar. 

A turma mais nova pode até se assustar. Mas, quem é da minha geração  já sabia há muito tempo a maior das verdades: a gente pode até ter nariz em pé, se achar, mas, só estamos de passagem. E somos um grão de areia, fugindo do sopro.
 

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