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Itatiaia em Movimento: histórias de taxistas e motoristas de aplicativos de Belo Horizonte

Por Erika Oliveira/Itatiaia, 22/11/2019 às 14:36
atualizado em: 22/11/2019 às 18:33

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A partir de hoje, toda sexta-feira, o Jornal da Itatiaia 1ª Edição e o programa Chamada Geral vão trazer relatos impressionantes de taxistas e motoristas de aplicativos, que contarão os problemas enfrentados no trânsito de Belo Horizonte e as histórias inusitadas que já viveram. 

Ouça a reportagem completa com João Felipe Lolli e Camila Campos

Ricardo Ferreira tem 43 anos e mora com a esposa e a mãe no bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte. Desde que deixou o último emprego, há um ano e meio, ele atua como motorista de aplicativo. “Trabalhava com gestão de medicamento: comprava, recebia representante, fazia cotação, entrava com a mercadoria, fazia balanço. Pedi para sair, pensei que ia arrumar outro serviço fácil e estou aí penando”, conta.

De mulher traída a passageiro que morreu a caminho do hospital, já se passou de tudo do carro de Ricardo. “Quando iniciei a corrida, estava [como destino] o Pronto-Atendimento da Unimed. Chegou no Boulevard Shopping, eu olhei para o lado e ela estava tranquila. Eu subi no hospital e falei na portaria que eu estava com uma pessoa no carro passando mal. Com menos de um minuto a enfermeira veio e, quando abriu a porta, infelizmente a mulher estava morta”, lamenta.

E não para por aí. “Tem mulher que pede aplicativo, não tem dinheiro para pagar, aí quer pagar com programa. Já me levaram para ponto de droga. Um dia eu peguei uma mulher e ela pediu para seguir o marido dela, que estava na frente com amante dele. A mulher dentro do carro, chorando, e eu tentando acalmá-la. Então, tem de tudo”, conta.

Formado em administração, Ricardo quer achar uma nova profissão e deixar de dirigir no trânsito caótico de BH. Porém, as tentativas frustradas de arrumar um novo emprego vem fazendo a esperança dele diminuir. “É muito triste saber que fiquei 10 anos na Newton Paiva (Centro Universitário) para hoje estar assim. Eu levo no máximo R$ 100 para casa, R$ 50 ficam no supermercado. Eu nunca peço nada para Jesus, nunca peço nada para Deus, porque Ele nunca deixou faltar nada para mim. Ele sabe o tanto que eu corri atrás, o tanto que eu esforcei e abri mão. Então eu sei que tudo tem a hora e a minha hora está demorando, mas vai chegar”.

Taxista

Adriano Rodrigo de Oliveira, de 42 anos, é motorista de táxi e reclama da sinalização e do trânsito caóticos da capital mineira. “O Complexo da Lagoinha é inviável, muito carro. Fica complicado, viu? São três saídas para cinco avenidas grandes. Você tem que prever o que vai acontecer”.

Apuros também não faltam para Adriano. “Uma vez o rapaz deu sinal e eu vi ele armado. Quando eu parei o táxi vieram dois homens atrás entrando no meu carro. Eu tive que sair em fuga, mas é muito perigoso, a gente não sabe onde o perigo está”, ressalta.

Ele destaca o valor do próprio trabalho. “Já peguei uma senhora com corte profundo na cabeça, desfalecendo, tinha perdido muito sangue. Me deram sinal, eu tive que socorrê-la. Eu sei que não sou serviço de resgate, mas sou um prestador de serviço”, conclui.

Na próxima semana, o Itatiaia em Movimento mostrará a história de um taxista e, na seguinte, a de um motorista de aplicativo.

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