José Lino Souza Barros

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Onde foi que nós erramos

13/04/2019 às 10:56
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As pessoas não têm o hábito de se reunir e combinar: - Ei, vamos fazer um país? Não. Em geral, os países se formam aos poucos, quase sempre por conveniências geográficas, sobretudo conveniências aquáticas. (...) Olhe o célebre caso do Egito. Heródoto disse que o Egito é uma dádiva do Nilo. De fato, o Egito só existe por causa das enchentes anuais do Nilo. (...) Depois que o Nilo se retirava, deixava uma terra rica e fértil, onde os homens plantavam alegremente. (...)

Um país que fugiu a essa regra foram os Estados Unidos. Eles praticamente reuniram-se para fundar uma nação. É que os Estados Unidos são, mesmo, Estados que se uniram. (...)

E é aí que chego ao Brasil. (...) Sobre esses 8,5 milhões de quilômetros quadrados de terra em que, se plantando, tudo dá, vive uma população que fala a mesma língua e que não enfrenta muitas instabilidades naturais, como terremotos, furacões e eliminações da Copa do Mundo. (...)

Era para ser fácil fazer um país, mas a questão é que nós, brasileiros, não conseguimos nos acertar quanto às regras que vão gerir nossa convivência. (...) Por essa razão, criamos regras de acordo com as circunstâncias. A Constituição de 1988, por exemplo, foi escrita no calor da redemocratização. (...) Foi uma Constituição feita com paixão, não com razão. Só podia dar errado. Saiu um monstrengo político, administrativo e social. Um monstrengo bem-intencionado, verdade, mas, ainda assim, um monstrengo. (...) Não sabíamos exatamente que país nós queríamos; sabíamos que país nós não queríamos. E, em cima desse sentimento de negação, em vez de ser de afirmação, construímos uma proposta de nação leniente, centralizadora e irreal.

A Constituição de 1988 moldou um país torto. Está na hora de mudar.

Texto do jornalista e escritor David Coimbra 

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