José Lino Souza Barros

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O nome que eu desejo e o apelido que eu tenho

Do historiador Leandro Karnal

09/07/2019 às 11:34
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Há povos que gostam de apelidos. Brasileiros, hispanos e norte-americanos estão entre os principais. Quase ninguém imagina que Bill Clinton seja, na verdade, William Jefferson Clinton. Difícil supor que um Pepe mexicano seja José e um Pancho tivesse chegado ao batistério como Francisco. Bem, qual estrangeiro suporá Chico como apelido de Francisco? Em eras pré-politicamente corretas, abundavam os japas, os chinas, os gordos e os carecas. Hoje, tudo implica risco.

Além do apelido, existem apostos que qualificam mais do que uma simples alcunha. Por vezes, são qualificativos positivos: Alexandre, o Grande; Luís XIV, o Rei-Sol; Luís XV, o Bem-Amado; e, no campo republicano, Simon Bolívar, o Libertador. Podem ser eufemismos para defeitos, como a indecisão crônica de Filipe II da Espanha. A história oficial o registra como Filipe, "o Prudente". Há as diferenças nacionais. A única rainha do Antigo Regime português é conhecida na terrinha como D. Maria I, a Pia. No Brasil, por vários motivos, ela é "a Louca". (...)

O apelido pode ser carinhoso, todavia, com frequência, é agressivo em tempos de redes sociais. Ocorre um fenômeno curioso. Os pais, orgulhosos dos seus rebentos, colocam nomes civis longos, abusam das consoantes dobradas e multiplicação de termos. (...) Aí emerge o apelido para simplificar o mundo.

Princípio impossível de ser ignorado: ao pensar o nome do seu filho ou filha, suponha as possibilidades de apelidos como parte da estratégia da escolha. Nem sempre os olhares sobre o ser que você gerou serão de total complacência e simpatia.

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