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Pãozinho quente

Do escritor Fabrício Carpinejar

07/08/2019 às 10:16
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A minha grande alegria familiar não é trazer presentes para os filhos ou para a esposa, não é fechar negócios polpudos no trabalho e voltar satisfeito, não é a promessa de um prato predileto, mas é abrir a porta de casa com os pãezinhos quentinhos no colo. Esquentam o meu peito no caminho a pé, tal bebê sonhando com o berço.

Quando chego na padaria e a atendente diz: "o pão acabou de sair", eu me vejo consagrado. Aparecer na padaria exatamente com o pão saindo do forno representa sorte e inspiração. Como se eu fosse premiado pela Mega Sena do cotidiano. Como se tivesse acertado os números da Quina dos horários. Abro o sorriso com a fortuna dos dentes. Levanto o braço gritando "Bingo!". Comemoro o gol abraçando estranhos.

Não levaria os pães cabisbaixos da cesta, frios e duros, cansados de esperança. Estava pegando os mais cobiçados, os de miolo quente e de casca crocante, feitos sob encomenda para o nosso café da tarde. Desciam do fogo direto para o calor das mãos. Já salivava imaginando a geleia de morango ou a manteiga derretendo em sua crosta. Eu me distanciava da vitrine com água na boca, atrapalhado e ansioso, tendo a certeza de que havia sido um predestinado naquela noite.

Não há melhor sensação do que ser pontual na retirada dos pães. Não preciso de mais nada para ser feliz. Encaro os vizinhos na rua com a superioridade do privilégio, ostentando a medalha de honra. Não posso nem fechar o saco, tamanho o frescor do nascimento, pois ele ficará absolutamente embaçado. O cheiro emana para o meu rosto, enfeitiçando-me de sortilégios.

Não existe desentendimento com a mulher, cisma dos filhos, dívida bancária, mal-estar com a vida, que resista a minha aparição caseira gritando: "Os pães estão quentinhos, venham logo para a mesa".

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