José Lino Souza Barros

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Sobre cactos e pessoas

Da psicóloga e escritora Raquel Núbia

31/07/2019 às 11:14
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Meses atrás ganhei dois vasinhos de cactos como lembrança de um aniversário que fui. Me disseram que só precisava aguar uma vez por semana, que não eram necessários muitos cuidados. Ok.

Meses passando e os cactos lá nos vasinhos, um cresceu mais e o outro continuava do mesmo tamanho. Continuei cuidando dos dois e eles foram perseverando, o que pra mim foi uma vitória visto que todas as plantas que eu havia tido até então morriam rapidamente.

Dia desses, minha mãe foi aguar os cactos, e disse algo mais ou menos assim: “esse aqui cresceu, mas esse outro não. Achei que estavam vivos, mas quando cheguei perto vi que um estava mortinho”. (...)
A poesia dessa frase é tão triste quanto verdadeira e não pude deixar de pensar nisso depois… Afinal, quantas vezes não é exatamente essa a sensação que temos, de que o que parecia vivo de longe, ao observarmos de perto está morto?

Óbvio que é uma analogia, mas, a meu ver se aplica a tantas coisas… 
Dia a dia convivendo com pessoas, comparando-as as outras, como ao cacto que cresceu. (...) Acreditando que os cuidados iguais satisfazem a todos da mesma forma, que suprem necessidades igualmente, lamentando pelo que vemos de ruim (que pena que esse outro cacto não cresceu). Mas sem chegarmos perto o suficiente pra vermos o que realmente está acontecendo – o cacto morreu, assim como pessoas, às vezes podem está morrendo por dentro. (...)

Sentimentos estão morrendo todos os dias, esperanças morrendo, sonhos morrendo, expectativas morrendo, alegrias morrendo todos os dias e nós, de longe, nem sequer notamos até que seja tarde demais. Até que as raízes estejam tão secas que a água não consiga mais penetrar levando a vida.

Não é porque um cacto cresceu que o outro tem que crescer. Não é porque um cacto se satisfez com pouca água que o outro tem que se satisfazer. Nem o mesmo solo, nem as mesmas condições climáticas garantiram o mesmo destino a essas duas plantinhas, imagine a nós! (...)
Olhe à sua volta.

Encontre os cactos que merecem sua admiração, mas se esforce para encontrar aqueles que apenas aparentam viver enquanto morrem por dentro.
Seja água.

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